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O que falta para inovar mais em Portugal?

Recentemente foram publicados dois estudos, coordenados pela Agência Nacional de Inovação (ANI) que concluem que o Sistema Científico e Tecnológico em Portugal já apresentam alguma robustez, no entanto, é precisa uma maior valorização económica do conhecimento para que este se traduza, de facto, em inovação.

O primeiro dos estudos foi centrado na atividade dos Gabinetes e Infraestruturas de Transferência de Conhecimento (GITC) entre 2017 e 2018. Foram inquiridas perto de 100 entidades Portuguesas relativamente à valorização do conhecimento, onde concluíram que existe uma grande margem de progresso. Os dados obtidos neste estudo destacam o número significativo de instituições de ensino superior, centros de investigação e gabinetes de valorização do conhecimento. No entanto, são poucas as entidades que conseguem transformá-lo através da incubação de ideias e negócios.

O GITC tem um quadro de recursos humanos altamente qualificado, em que 25% correspondem à taxa de Douturados. No entanto, poucos destes recursos humanos tem formação na área de gestão e finanças e mais de 40% não tem experiência empresarial, o que dificulta as relações com o tecido empresarial.

Para além disto, os apoios públicos correspondem a cerca de 40% do modelo de financiamento dos TTO. As receitas provenientes de propriedade intelectual são reduzidas, ainda que se tenham registado mais de 500 patentes em 2018.

O segundo estudo centrou-se na análise de spin-offs e startups nacionais de base académica, onde a parte mais significativa, correspondente a 40%, se insere no setor das TIC. Por outro lado, o “peso” das spin-offs é superior no sector da saúde e ciências da vida, com 10% face aos 5% das startups, assim como no da biotecnologia, com 10% versus 2%.

Relativamente ao perfil dos fundadores das empresas, destacam-se indivíduos altamente qualificados, com idade média de 36 anos. Embora nas spin-offs o nível de habilitações dos fundadores seja mais elevado, com uma taxa de doutorados na ordem dos 50%, os dados revelam que as startups equilibram de melhor forma a experiência académica com a empresarial.

Este tudo concluí também que os principais fatores de motivação para a criação das empresas é a “identificação de uma oportunidade de mercado”, seguindo-se a “aplicação e competências pessoais dos empreendedores/fundadores” e a “perspetiva de ganhos económicos futuros”.

Um dos principais desafios sentidos é o financiamento do negócio, quer seja a nível da própria disponibilidade financeira dos empreendedores ou na obtenção de financiamento no mercado.  o Capital próprio é a fonte de financiamento mais utilizada pelas empresas, seguido pelos incentivos financeiros disponíveis à I&D e ao empreendedorismo.

Estes estudos concluem que algumas da dificuldades identificadas podem ser ultrapassadas através da criação de um mecanismo de financiamento de base para os GITC, com vista à criação de equipas de interface “instituições de ensino superior – empresa” e atividades de transferência de conhecimento. A criação de uma rede nacional de GITC ou a promoção de entidades colaborativas pode também ser útil.

A ANI sublinha que a criação de mecanismos públicos de dinamização dos GITC deve ser acompanhada de uma maior responsabilização e orientação para resultados, suportada num mecanismo de prestação de informação e contas obrigatório cujo controlo ficaria a cargo de um Observatório sobre a Realidade de Valorização e Utilização do Conhecimento no Sistema Científico e Tecnológico Nacional.

O desenvolvimento do mercado de financiamento de risco é visto como fundamental para fomentar a criação de spin-offs e start-ups, permitindo o seu desenvolvimento e dando escala aos negócios pioneiros a nível internacional.

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